**Template por Ginger Rogers**

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

PRA TE LEMBRAR ou A SAGA DO AMOR QUE NÃO ACABA
O problema é esse: eu te amo, porra. Eu não consigo viver sem você. No final das contas, estarei esperando sempre que você perceba que eu te amo.
Eu te amo.
E não importa quantas pessoas eu beije, quantas pessoas me digam que me amam. Eu amo você. E o mundo só me implora para que eu te diga isso, a cada vez que eu ligo o rádio e toca cazuza, a cada vez que eu encontro o acaso insistindo para que eu tome alguma atitude. Não importa quem eu beijar, não importa se me apaixonar por homens. Meu coração é só seu. E isso não dói mais, não me faz mais chorar. Por mais que eu tente, não vai mudar. Eu simplesmente amo você, sua voz, sua maneira desengonçada de andar, seus sapatos enormes, sua boca desenhada, suas camisas enormes, sua timidez esquisita. Amo até mesmo seus defeitos. Mesmo quando você acha que tem o controle da situação-quando não tem- mesmo querendo mudar a maneira de eu me vestir, os sapatos que eu uso, meu cabelo, minha barriga, meu tom de voz. Amo você, porque conheço seus defeitos, suas qualidades. Conheço você lindo e horroroso, falante e calado, sorrindo e chorando.
E você me detém. Você é grosso, meio machista, magro e eu te amo. Você é lindo, tem um gosto musical maravilhoso, tem ideais maravilhosos, é inteligente e cheira maravilhosamente bem, não há nada que eu possa fazer para combater tudo isso. Não te peço nada e não falo com você porque quero te reconquistar. Simplesmente te amo. Isso não vai mudar hoje, amanhã ou depois. Isso não vai me fazer odiar suas namoradas, nem chorar pelos cantos. Isso vai me fazer querer que você seja absurdamente feliz. Enlouquecedoramente feliz. Comigo ou com qualquer outro ser vivo, feliz.
Se for comigo, então volte. Para as compras no mercado que eram sempre iguais; leite condensado e outras porcarias; para as idas ao cinema para assistir os filmes da mtv, para as conversas ora engraçadas, ora esquisitas, ora irritantes, ora apaixonadas. Para os domingos fazendo absolutamente nada. Para os atrasos- e por que não?- para a comida chinesa de caixinha. Para as idas ao shopping e ao habib¿s- para nossos beijos, nossas músicas, nossa trilha sonora. Para as muitas mensagens de celular, para as tardes lendo livro, ouvindo música. Para as minhas músicas chatas. Para as nossas brigas, para resolvê-las. Para as nossas besteiras.
Se não for voltar, ainda sim saiba que é você que espero, no fim da fila, com aquele violão, cantando do seu jeito Exagerado...
Adoro um amor(...).
Se não for voltar, saiba que te amo. E seja feliz.

Ginger Rogers, 1:30 AM

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Terça-feira, Novembro 08, 2005

MAR ABERTO
Só, no meio do oceano. Longe, muito longe havia barcos. Sem luzes. Antes menina aprendiz de sorridente, um dia menina realmente sorridente, outro, sorriso forçado, alegria forçada, vida forçada. O sorriso esconde o medo do mar. Os tubarões passam por debaixo de seus pés, um dia o ar acabará, não pode mais mergulhar, ou não tenta. Fica na superfície, o oceano vasto e sombrio, ora sol ora lua, mas sempre só. Barcos passavam e não lhe davam muita esperança, estava no meio de um monte de azul e eles nunca a puxavam para cima. Um navegante, certa vez, estendeu o braço, quando a menina finalmente estendeu a mão, ele decidiu por um pertence precioso dela. Acabou por arrastá-la para ainda mais funda e escura parte do oceano, às vezes parece voltar à antiga profundidade, às vezes retorna à escuridão.
Os tubarões não foram embora, percebe.
Aos poucos, eles sentem o cheiro de carne diferente. Mostram os dentes. Primeiro, mordem com força uma perna. O sangue atrai outros tubarões. Depois, arrancam a perna. A menina não grita de dor, continua sorrindo, morrendo e sorrindo. Sangra até empalidecer, os navios, as canoas, os barquinhos, nem passam mais. Olha por um instante as nuvens. Parecem algodão doce. Lembra de quando comia algodão doce. Gostosos tempos de criança, criança dramática talvez, criança sozinha talvez, mas criança.
E nota que sempre foi só, mesmo diante da multidão de serezinhos que insistiam em chamar por seu nome.
Reconhece o oceano: silencioso, triste, calmo e vastamente sozinho. Sente-se acolhida por ele. Sente-se novamente dentro de onde estava: o buraco negro de sua vida, transformado em água.
Morreu sentindo-se em casa; pálida, nem mesmo uma luz brilhou ao fechar dos olhos.

Ginger Rogers, 11:54 PM

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SEM METÁFORAS, PARTE ÚNICA
Vou escrever pela primeira e última vez sem metáforas. É uma merda. Tudo está uma merda, eu não consigo ser mais legal com os seres humanos, porque eles são uma merda. Eu estou entediada, cansada, com dor de cabeça. Não aguento mais. Desde que eu saí do colégio não me sentia como parte integrante da 6ª série: aquela que tem como único ponto positivo fazer os outros darem risada. Que merda, as pessoas me irritam cada vez mais. E eu não consigo não ser metafórica. Sou uma decepcionada ambulante e a minha raiva vomitou na minha cara, ela não quer mais se esconder.
Abaixo as pessoas que tem o único interesse de dar risadas a mais, abaixo as pessoas que fazem observações cretinas, abaixo as pessoas que não me acrescentam nada, abaixo a porra da falta de força de vontade, abaixo a futilidade, abaixo às brincadeiras cretinas, abaixo aos que acham que falam com uma palhaça.
Vão se foder.
Dá próxima vez que alguém me cumprimentar com um "oi, doida" eu vou arrancar a cabeça.
Vão se foder.

Ginger Rogers, 11:15 PM

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