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por Ginger Rogers** |
Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
VÔMITO DE PALAVRAS, PARTE 1
2006 eu vou planejar minha vida, um pedacinho dela, ah se vou. Vou mandar minha desorganização para a puta que a pariu, vou deixar meu quarto arrumado, vou manter meu peso (porra de barriguinha saliente), vou deixar meu cabelo crescer, vou deixar meu cabelo da cor natural. Vou terminar pelo menos um dos cinco livros que comecei e parei de escrever, vou terminar de ler o monte de livros que comecei e não terminei. Vou cuidar mais da minha pele, ser mais comprometida com as minhas obrigações, vou ser mais pontual, vou frequentar o dentista como quem vai ao shopping (bem, eu não costumo ir a shoppings, mas digamos, compare alguém que é completamente viciado naquela muvuca infernal, sim, sim, esse mesmo, então, eu serei um deles, só que para ir ao dentista), vou diminuir a quantidade de café (café é estilo, posso até parar de tomar na faculdade, mas continuar frequentando o Rei do Mate, porque isso é impossível parar. Espera, não posso parar de tomar café na faculdade também.). Vou esquecer os amores patéticos do passado (é isso mesmo, sem mais "Último Romance", porra de Exagerado na puta que o pariu...merda, quanto palavrão...), vou diminuir a quantidade de palavrões que saem da minha boca, comer menos porcaria (esse ano eu já consegui parar de comer aquelas frituras de lanchonete, parei de beber refrigerante e de comer hambúrguer..e ainda estou viva, ó que ótimo!). Vou encontrar um emprego e MELHOOR!!! Vou permanecer nele por mais de dois meses. Vou conseguir comprar os cds do New Order, White Stripes (um já foi!), o mais novo dos Strokes e os do Franz Ferdnand. Ok, tem mais, mas eu começo por aí. Vou entrar pro curso de teatro, porra, dessa vez eu passo. Isso se eu me aventurar a ficar muitas madrugadas na UFBA...espera, isso também não dá.
E olha que nem é só isso. Tem mais, mas eu já escrevi o suficiente.
Faça uma lista você também, quem sabe não consiga cumprir pelo menos 5% das coisas que você disse, não é mesmo? eu escrevi, mas prometo, assim, pelo menos 3% das metas cumpridas..kkk...é isso aí.
Ginger Rogers,
7:16 PM
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Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
MÚSICA PARA TAPAR OS OUVIDOS
Lendo jornal por esses dias, descobri que o "baile funk de luxo" da Tati Quebra Barraco lotou o Rock in Rio Café no fim de semana. Muitas pessoas justificam o sucesso do funk e do pagode pelo ritmo, mas é inacreditável o que a junção de ritmo dançante e letra medíocre proporcionam a um estilo musical: se antes as músicas protestavam contra os problemas e a realidade política do país, temos agora uma overdose de "requebras", "remexes" e bater de palmas.
Em nenhuma outra época houve uma geração tão apática e preocupada exacerbadamente com o corpo, a moda e a beleza como a nossa. Acredito que a música possa revelar muito sobre qualquer década; ouvindo um pouco da "música moderna", percebe-se que o que temos é uma legião de pseudo-comunistas, pseudo-revolucionários e vários músicos sem nenhuma voz e com muita fotogenia. Além disso, quando há alguém em que realmente interesse prestar atenção, há pouco espaço na mídia. Coisas da comunicação capitalista de massa.
Voltando ao assunto: depois de me decepcionar com a grande quantidade de pessoas que prestigiaram mulheres sendo tratadas como objeto (e cantaram, suaram e rebolaram junto) e posteriormente descobrir que isso é considerado uma espécie de pós feminismo, decidi tentar entender o por que de tanta porcaria fazer sucesso. Não é a ausência de bons cantores, nem mesmo de um estilo "axé music" de qualidade, porque há. Talvez porque seja mais fácil de cantar, talvez por um instinto de auto flagelação feminino ou afirmação da condição de seres cuja única utilidade é a exibição de seus corpos para, digamos, posterior consumo.
Como se não bastassem as porcarias consumidas no carnaval de Salvador, agora ainda importamos porcarias de outros estados. Se pudéssemos transcrever nossa geração de adolescentes por seus gostos musicais, teriamos "atoladinhas", "piriguetes" e "putões" inertes que frequentam bastantes shows, mas deixam vazias bibliotecas. E assim traduzimos também a inércia da juventude baiana, por exemplo, que conhece as falcatruas de seus governantes mas pouco encoraja-se a agir.
Mas gosto musical não define estereótipos...ou pelo menos não deveria. Podem existir exceções, que frequentam bailes funk e entendem o valor de ler jornais, saber o que acontece no país e protestar por melhores condições de vida, afinal, Gil, Caetano, Chico Buarque, Raul Seixas, eram todos jovens quando usaram a música como forma de protesto, sem contar inúmeras manifestações das décadas de 60 e 70, todas com a grande maioria de jovens. O que eu espero é que essas exceções comecem a aparecer, porque à medida que avançam os anos, menos pessoas se manifestam contra injustiças, menos jovens se interessam pelo contexto político caótico do país e mais pessoas vão aos shows de Psirico e cantam que estão "atoladinhos" com Tati Quebra Barraco.
Ginger Rogers,
11:17 PM
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Domingo, Dezembro 04, 2005
Só pra não perder esse texto de vista, ele veio a calhar novamente, enfim...
E ATÉ QUEM ME VÊ, LENDO JORNAL, NA FILA DO PÃO, SABE QUE EU TE ENCONTREI.
O primeiro estágio da paixão é a negação da paixão. Você não quer perder a liberdade, o bom senso....até que perde tudo isso. Tem vontade de viver para a pessoa, dormir com ela, acordar com ela, comer, estudar, sair com ela. Depois você se entrega completamente. Perde os sentidos, acredita estar amando. Diz isso pra ela. ela enfim percebe que conseguiu o que queria. E vai embora.
As feridas abertas sangram e você tem vontade de morrer. Não sabe o que fazer, acha que nada vai dar certo, que vai chorar a vida toda. Ocupa todo o seu tempo. Tudo dói. Toda música que você ouve lembra os dois. Último Romance. Chora então. Descobre-se imbecil, a pessoa não liga, esqueceu de você. Você tenta descobrir se a pessoa tem outro, ela está tão sozinha quanto você.
E aos poucos, você percebe o quão ridícula é a situação. As coisas grandiosas que fizeram juntos não tem mais tanta importância. O sorriso, o olhar, o cheiro, antes tortura para a alma, agora doem somente de saudade. Nenhuma outra reação. Lembranças de um tempo bom.
Voltaria para a pessoa? Jamais. Veria-se beijando-a novamente? Nunca. Ouve a música que marcou os dois.Antes desespero, hoje, dorzinha fina que não atinge mais nada. "Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar...."
Nada. As coisas perdem completamente o significado, exceto a música. A música esconde algo inexplicável, inegável, mas não é amor, não é paixão. Arrependimento talvez. Nostalgia.
Percebe o irremediável: acabou. Resta o vazio, esperando outra pessoa preencher. Barreiras e traumas criados, alguém desconstruirá. Mas acabou. A batalha contra seu próprio coração chegará ao fim, mas ele nunca estará completamente cicatrizado.
Restará a rachadura que causa a dorzinha fina. Inexplicável. Não muda mais nada. Mas dói.
"pra te acompanhar..."
Ginger Rogers,
7:15 PM
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