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VOLTAS EM TORNO DO MOINHO DE VENTO, ATO ÚNICO
pOR eSSES dIASeu passei na Siciliano (meu vício) e acabei comprando um livro (nem tinha muito dinheiro, fiquei absolutamente sem nenhum tostão, sabe- só o da passagem e o de um pastel). George Owell, Revolução dos Bichos; muito legal de ler, viciante e pequeno, rapidinho.
A história é assim: um monte de bichos se rebelam contra o dono da granja em que vivem, Sr. Jones. Depois que ele é expulso, os bichos montam uma granja a princípio sem governantes, sem líderes, mas logo começam a surgir problemas. Os porcos aprendem a ler: no começo, acham isso somente mais um fator para a melhoria da granja, depois, começam a achar que são superiores aos demais e exigem privilégios. Aos poucos, a granja começa a ter os líderes, que mais tarde exigem ainda mais privilégios e ficam tomados pelo poder.
Já é visível o final, não? E Owell nos mostra uma triste realidade: a loucura pelo poder é inerente ao ser humano. O que podemos fazer? Se temos uma anarquia, os mais intelectuais influenciarão os que não tem estudo, porque muitos deles não questionam a veracidade dos mais "estudados", simplesmente seguem as verdades dos que tem mais poder, pronto.
E é isso o que aconteceu na granja: os animais aceitavam as coisas sem relutar, sem questionar. Assim os porcos e os cachorros acabaram criando um regime ditatorial, disfarçado de democracia, de anarquia. E toda anarquia tem um líder escondido, que espalha idéias e que tem mais influência que os "simples mortais". E quanto as necessidades dos seres humanos por poder, dinheiro e riquezas? Quando é que vamos aprender a controlar nossa ganância? E a necessidade de trocas: quando alguém que faz sapatos troca alguns pares por blusas, com alguém que sabe costurá-las. Quando vamos ter só o que precisamos, sem almejar lucros?
É inerente ao homem. Assim como na Granja dos Bichos, todas as tentativas de dividir tudo igualitariamente deram errado, porque sempre haviam os que queriam mais, achavam que mereciam mais.
Ainda sim, não sou pessimista. Acredito em desenvolvimento sustentável, em alimento para todos, roupas, lazer e educação para todos. Não sei como fazer isso garantindo que todos tenham tratamento igual, porque parece impossível; mas a diferença entre os muito ricos e os muito pobres é exorbitante e precisa ser diminuida.
Os bichos tentaram construir um moinho de vento gigantesco, com as próprias patas. Acharam que com isso iriam ter menos trabalho, mas, ao invés de ser assim, a inexperiência, a exploração do grupo pelos "Líderes" e a vontade de fazer as coisas rápido demais, sem saber como, fizeram da obra um fracasso.Os bichos passaram fome enquanto os porcos comiam maçãs, eram escravizadas enquanto os porcos e Napoleão, o porco chefe, dormiam em camas e acordavam tarde.
Comecemos devagar. Pelos que passam fome agora. Vamos incrementar a educação, melhorar as condições de emprego, dar espaço para que os que nunca tiveram oportunidade agora opinem, questionem, trabalhem. Não vamos realizar obras faraônicas quando não existem condições nem mesmo para as pequenas.
É isso.
Ginger Rogers,
6:46 PM