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por Ginger Rogers** |
Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
RISOLI E SEXO NO HORÁRIO DA NOVELA OU A VIDA PERFEITA DA MULHER MARAVILHA, PARTE FINAL
"Mamãe, eu quero um carrinho e um videogame. e um aviãozinho. e um Max Steal. Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, dia da criança, não interessa, eu quero meu presente. E se você não me der, eu vou chorar, chorar, chorar e mesmo que a senhora me bata, vagaba, eu quero, eu quero, eu quero".
A mãe na loja de departamento comprando os brinquedinhos para o filhinho de nove anos. O marido, na noite passada, dormiu depois de assistir o showzinho Pulp Fiction e ainda peidou, o desgraçado. Deve ter comido algo muito podre no trabalho. Ela não estava muito bem. A cinta-liga era a última cartada e nem funcionou. E agora o filho queria toda a sessão de brinquedos da loja de departamento.
Ah, tinha uma família linda.
Lá pelas dez da noite, sentavam-se na frente da tevê, mantinham-se calados, quase sem piscar os olhos. "Poxa"-pensou ela-"Armando Augusto se casará com Faustina Amanda hoje, é um momento importante da novela". Depois tem reality show, depois sessão de filme antigo na tevê, o menino vai dormir e tem a sessão pornô. Todo mundo vai dormir depois.
Ah, que família maravilhosa...
"Eu sou uma mulher de sorte. Quase não tenho cuecas para lavar; Arlindo não toma tanto banho assim mesmo!" Que família linda! O menino? Uma graça. Quando queria alguma coisa, dava uns tapinhas, de leeeeeve, na mãe, chorava um pouquinho, uns gritos, de leeeve, uns palavrões recém aprendidos na escola e pronto. Olhava o brinquedo, analisava e punha de lado. Se muito, tirava da caixa, acabava quebrando logo em seguida, muito jeitoso.
Ahhh, que família linda, linda...
Via os vizinhos, deploráveis, que mal educados. Se beijavam no meio da rua. E as crianças dos vizinhos? Brincando no parque o dia todo! Olha que horror! Ah, os pais não tinham dinheiro para comprar videogame, computador, essas coisas.
Esse casal ridículo, que teima em sorrir o tempo todo. Patética essa coisa de ser feliz.
Ginger Rogers,
6:59 PM
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
RISOLI E SEXO NO HORÁRIO DA NOVELA OU A VIDA PERFEITA DA MULHER MARAVILHA, PARTE UM
Cinta-liga-vermelha-rendada, batom rosado e blush. Tudo para chamar a atenção do marido, um filho da puta e ela não sabia (sabia sim!). Lavava os pratos, fazia o café e o almoço. O jantar na mesa, esperando o "trabalhador" chegar de paletó, cansadíssimo, e peidar na hora de comer.
Apareceu na frente do barrigudo-careca com cueca amarelo-ouro e fez uma dancinha especial; porra, há mais de quatro meses eles não transavam e ela estava quase se engalfinhando com o ferrinho da cama. Isso merecia uma apelação, opa, algo especial. Dança no estilo Pulp Fiction, escova e luzes no cabelo, unhas pintadas e bem feitas. O marido dá uma olhada; limpa as remelas no rosto. "Pulp fiction pra quê, Darlene? Eu nem tenho cabelo para ser o John Travolta".
Irritada, segura os peitos e re-calça os sapatos. O marido dá um último peido antes de dormir e vira para o lado. Ela volta para a cozinha e prepara o risoli para o marido almoçar amanhã, no trabalho. A marmita dele tem de estar pronta às sete. Veste sua roupa comum, faz o nero para manter a lisura dos cabelos e deita na cama.
Ahhhh, o ferrinho, o ferrinho.
Fantasiou com o ferrinho vivo e possuindo seu corpo, apertando seus pneuzinhos e entrando de cabeça em sua genitália.
Enfiou o dedo médio na negocinha.
Enquanto gemia, o marido dava uns roncos esporádicos.
Ahhhhh, o ferro, o ferro, me feeerrrreeeee, oh oh ohhhhhh!!!
O marido acordou. "Tá fazendo o quê, Darlene? Tá desequilibrada, tá?", ela respondeu que estava gozando,sim senhor.
"Então goza mais baixo que eu quero dormir."
De manhã, o marido de paletó e gravata abre a porta de casa, a mulher de cabelos soltos e blush para parecer saudável; os vizinhos saindo no mesmo horário. "Tchau amor, ontem foi ótimo, revigorante", fala o marido, enquanto os vizinhos apresentam inveja visível.
Do outro lado da rua, uma futura Darlene acaba de se casar.
OBS: Isso é ficção, gente!
Ginger Rogers,
7:42 PM
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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
DOS BRIGADEIROS E COMÉDIAS ROMÂNTICAS ÀS NOVELAS MEXICANAS
Foda-se.
É uma expressão que causa alívio, realmente. Quando as coisas embolam em sua cabeça, ahhh....se eu soubesse dirigir. Pegava a primeira estrada em direção ao lugar mais longe, o fim do mundo talvez. Com os sapatos de salto finalmente numa instituição de caridade (aquelas desgraças caras e que mesmo sendo seu número esfolam seu pé), para alguém com o pé mais fininho calçar.
Fo-da-se.
Eu sei, você é a última bebida que eu não devia ter bebido, o hábito que eu não consigo largar, os meus segredos na primeira página do jornal, o trem que eu nunca deveria ter pego, o "mas" que me faz esconder meu rosto, a festa que me faz sentir minha idade, como um filme que é ruim mas eu não posso parar de assistir antes do final,
deixe-me te dizer, é uma sorte sermos amigos. Eu fiz isso uma vez e fiz outra, (não) farei de novo, venha e mate-me baby, que eu vou sorrir para você como uma amiga. E eu venho correndo, para (não!) fazer novamente...eu não acredito que isso ainda esteja acontecendo, o quão estúpida uma pessoa pode ser? o quão estúpida e errada...(PULP-adaptado)
Fo-da-se isso também. Foda-se o sentimento-dramático-repentino, foda-se a busca pelo amor; que ele caia de para-quedas sobre mim quando quiser, onde quiser e me possua, ah, possua o indivíduo que for escolhido pelo cupido (se houver e ele não for vesgo) também. Amizades podem durar para sempre, se você souber cuidar delas, especialmente se beijar bem. Esquece a fatalidade, errou duas vezes, é comum, um raio que caiu duas vezes na porra do mesmo lugar. Ele beija bem, aperta bem e daí? Usa-os como eles te us(av)am ou escolhe ficar de férias dos amores escolhidos por você. São todos trágicos, problemáticos e..., você que escolheu.
Let's Keep It Friendly. Eu escolho as férias. Até que alguém me prove que vale a pena tentar novamente.
Sim, eu cansei. Cansei de escolher os homens errados e acreditar que estava certa (para depois de me apaixonar quebrar a porra da cara). Burra assumida, se tiver que ser, que caia de para-quedas. Sem mais beijos em homens que são seus amigos e que, no escuro das luzes estroboscópicas, sentem a vontade repentina da heterossexualidade.
A menina inflável murchou.
Nada mais será dito a respeito.
Ginger Rogers,
7:19 PM
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Domingo, Janeiro 08, 2006
SOMOS FELIZES, ATO ÚNICO
Ela havia se apaixonado. Ele não era um tipo comum, era desses que, numa pista de dança, chamava mais atenção que ela. E se vestia incrivelmente bem e usava os melhores perfumes.
Porra, havia se apaixonado repentinamente. Mas ele não poderia corresponder, jamais. Eles dois eram muito parecidos; gostavam, literalmente, das mesmas coisas. Ela sabia que ele não ficaria com ela ao amanhecer, porque não haveria como. Mesmo assim, aceitava a condição de passar a madrugada esperando o sol, na certeza de que, naquela noite, seria usada apenas para um pouco mais de diversão, A.T.A.
Depois, nada teria acontecido.
Depois, se olhariam como se nunca tivessem se beijado, se olhariam como amigos que são, ele contaria suas aventuras amorosas novamente. E ela disfarçaria muito bem.
Nada daquela noite significaria muita coisa para ele, exceto pelo fato de estar se divertindo entre amigos. Eram só amassos comuns. E todo mundo não faz isso hoje em dia? Não dançam olhando para os lados, esperando o momento certo para atacar a "vítima" de quem nem mesmo lembrarão no dia seguinte?
Somos todos escravos dos nossos desejos.
Ela estava, agora, refém de algo muito pior: do riso desconcertante, das palavras calculadas para não dar nenhuma pista. Dos olhares disfarçados enquanto ele se comportava normalmente, enquanto ele acreditava que aquilo não tinha representado nada, mais uma loucura entre amigos. Afinal, seres humanos são assim; uma hora olham mesmo com desejo, noutra, despedindo-se. Enquanto, para ele, tudo estava normal, ela sorria, com vontade de chorar.
Porque beijos não são contratos e abraços não são promessas.
Ginger Rogers,
9:08 PM
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