**Template por Ginger Rogers**

Sábado, Janeiro 28, 2006

GALINHAS CHOCADEIRAS DO MORRO DE CHOCOLATE- Parte 2

Desceram o morro estabanadas. Balançavam tanto que as penas voavam para lá e para cá, desesperadamente. No caminho, um buraco; Jazira tropeçou e foi rolando morro de chocolate abaixo, Ovina desesperada, gritando "Jesus! Jesus! Acuda Jazira! Acuda!"
No fim do morro, Jazira toda "achocolatada" e Ovina suando, o medo aumentou. "Menina! Demos um passo na terra plana! E agora?", indaga Jazira. "Continuemos", respondeu Ovina, disfarçando a preocupação. Chegaram à cidade. Olhando os seres humanos, Ovina percebeu uma diferença considerável entre aquelas ruas asfaltadas e o lugar onde morava: na granja as galinhas eram bem mais interessantes. Os seres humanos eram horrorosos. "Olha aquela ali! Como rebola!" "E aquele ali?", o caminho todo era só comentários.

Jazira percebeu que os seres humanos falavam o tempo todo com uma maquininha pequenininha, que tinha um palito grudado em cima, e notou mais uma diferença entre os humanos e as galinhas: os seres humanos são malucos, falam com máquinas e as tratam com tanta importância como se elas tivessem vida própria. É como se na granja, por exemplo, as galinhas falassem com seus leitos, sua ração, com a luz. As galinhas eram mais normais.

Também perceberam que as pessoas brigavam e gritavam umas com as outras frequentemente."E olha que eles se dizem mais inteligentes que nós! Como é que eles falam mesmo? Eles ra-cio-ci-nam", lembrou Ovina. As galinhas eram mais amigáveis.

E foram andando sem rumo, notando o comportamento daqueles animaizinhos estranhos, os humanos. Alguns homens olhavam para algumas mulheres como se quisessem abatê-las; "Será que existe um açougue de carne humana?", perguntou Jazira. Alguns homens pediam moedas a outros e esses outros fingiam não ouvir. As galinhas eram mais unidas.

Alguns homens e algumas mulheres sujavam as ruas com o lixo das porcarias que eles comiam. As galinhas eram mais educadas.

Então, Jazira e Ovina tomaram uma decisão importante: depois de muito refletirem sobre as coisas que enxergaram enquanto andavam pelas ruas malcheirosas de betume, resolveram subir o morro novamente. Entre viver com as galinhas e viver com os seres humanos, escolheram as galinhas. Iriam, ao invés de fugir dos problemas da granja, tentar resolvê-los, tentar melhorar a vida de todas as galinhas.

Iriam voltar felizes para o cheiroso Morro de Chocolate. Todo mundo, incluindo os humanos, iria ser "abatido" um dia; medo de morrer era o de menos. Jazira e ovina caminhavam de volta à Granja sabendo que teriam que mudar muita coisa, mas tendo também outra certeza: As galinhas sim, sabiam viver.

A Seguir:"Literatura Clichê- A arte de escrever best sellers"

PS: À GAZETA DOS BLOGUEIROS, OBRIGADA PELO DESTAQUE!

Ginger Rogers, 2:27 PM

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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

JEQUITIBÁ?LIMÃO?ABACAXI?HÃ?

Um título tosco. É essencial. Siga meu exemplo, ó:"Assassinatos Misteriosos", "Mistério na Rua 48"...é claro que eu melhorei quando passei a ler mais um pouco e consequentemente, melhorei meu português. "Índice" e "E As demais coisas: um Libelo Contra a Vida Mea-Boca" são dessa fase mais, digamos, "cult". Mas foi pior: mais interessante ficava o título, menos páginas tinha a história. Para essa sequência de textos, decidi colocar um título sem noção mesmo, para ver se a coisa decola. Bem sem noção, imagine, "Coração Abacaxi e os Limões de Jequitibá". completamente sem sentido. Mas o sem sentido também pode ser interessante, sabia? Você pode tentar, é só escrever um monte de palavras e juntá-las sem nenhum nexo. Veja bem:

Galinhas chocadeiras do Morro de Chocolate
Pressuposto Inexistente do Bairro de Luciúna (nossa, eu me superei)
O Amor entre Feliciano e a Gonorréia (coitado)

Entre Outros.

Você pode perceber que aos poucos vão sair alguns que despertem interesse. Poxa, esse do morro de chocolate dá uma história interessante.

Duas galinhas super-amigas moram em um morro muito lindo, marrom do barro que nunca ficava molhado o suficiente para deixar crescer nenhuma flor. Jazira e Ovina cresceram juntas e nunca tinham deixado o morro, nem quando seus pais saíram para o abate, jamais se moviam, tinham medo de serem abatidas também. Jazira chorou bastante quando soube por uma vizinha que sua mãe tinha virado ceia de natal, mas logo se conformou, "essa deve ser a sina de todas as galinhas gordas e sadias", pensou. Ovina era um pouco mais revoltada, mas também não fazia questão de mudar nada: reclamava do que era conveniente no momento- se não havia ração suficiente, cacarejava alto e punha ovos na cabeça do dono da granja. Um dia, o dono da granja decidiu dar às galinhas um passeio na área barrenta que apelidava de "Morro de Chocolate". Diziam que fazer as galinhas andarem além da granja daria ovos mais vistosos, que por sua vez daria galinhas gordas, resistentes a doenças e mais gostosas. Assim, deixou-as expostas ao vento, à poeira e andando, todos os dias, pelo morro barrento. Depois recolhia as galinhas e as colocava de volta na granja. Jazira e Ovina começaram a ficar cansadas, um tanto quanto pensativas. !"E se nós fugíssimos, no próximo passeio?", perguntou Ovina à sua amiga. "Para quê? Não temos comida o bastante aqui?", Jazira respondeu. "Vamos conhecer outros lugares, descer o Morro de Chocolate, eu quero comidas diferentes, estou cansada dessa rotina de aspirar poeira e comer a mesma ração todos os dias". "Então vamos logo, não quero pensar mais, não quero me arrepender".
Dito e Feito. Jazira e Ovina, no passeio da tarde, desceram saltitantes o morro. O dono da granja até que tentou alcançá-las, mas era tarde demais: as duas amigas estavam em direção ao desconhecido. Mas o Morro de Chocolate era maior do que imaginavam. Teriam, antes de conhecer as delícias do novo, de enfrentar os perigos de terem se arriscado.


Ah, admita que você quer saber o que vai acontecer com as galinhas! E olha que eu inventei isso agora, tudo agora: os nomes, os títulos, a história toda.

o capítulo continua

Ginger Rogers, 4:32 PM

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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

CORAÇÃO ABACAXI E OS LIMÕES DE JEQUITIBÁ
- A arte de nunca terminar de escrever um livro-


Um belo dia, resolvi escrever um livro. Tinha doze anos quando comecei a árdua tarefa e escrevia página por página com fonte grande, para ocupar espaço; cada página era um título diferente. Seria algo inovador se eu soubesse o que estava fazendo. Eu demorei um tempo significativo para terminar "Assassinatos Misteriosos" e era visível a evolução do português e da qualidade da história, porque eu demorei mais ou menos quatro anos para terminar de escrevê-la, o que significa que mudava de estilo à medida que ficava mais velha... foi estranho, ele está arquivado agora. Guardei em um classificador e de vez em quando leio para dar umas risadas.

A questão é: sempre tive idéias mirabolantes sobre livros e sempre começo a escrever, as idéias acabam. Esgotam na segunda página, quando muito, como aconteceu com "Mistério na Rua 48", na quadragésima. Acho que escrevo tudo de uma vez, fico sem paciência. Vou contando logo tudo, quem é apaixonado por quem, quem vai morrer, quem tem poderes especiais (adoro esse negócio "não-sei-quem-predestinada-a-não-sei-oquê"), quem vai salvar o mundo, quem é o vilão. E creio já ter descoberto o problema: além da falta de criatividade (minha), percebi que minhas histórias são todas clichês. Note:

Uma menina nora em uma rua esquisita, mal assombrada. Vive sozinha com o pai, todo mundo da vizinhança fugiu da rua, porque, como eu já tinha dito, ela é mal assombrada. O nome da figura é Sabrina e ela estuda em um colégio onde (advinha!) ninguém fala com ela. Mas o que Sabrina não sabe é que é adotada e que seu verdadeiro pai é um monstruoso bruxo miserável que quer dominar o mundo (imagine uma risada maligna aqui). Além disso, ela também não sabe que possui poderes especiais; estava predestinada a salvar o mundo de seu próprio pai. (Ah, que emocionante)

Leu? Eu não disse que eram todas clichês? É um absurdo. Enquanto Saramago escreve obras primas como Ensaio sobre a Cegueira, eu nem mesmo consigo formatar uma história diferente das mamatas contadas pelos filmes holywoodianos. Patético.

Bem, vamos ao objetivo dessa coisa toda: já que existem tantos guias para atingir o sucesso, ser bem sucedido financeiramente, decidi escrever umas páginas sobre como é nunca terminar um livro. Não ter criatividade é uma coisa trabalhosa! Imagine: escrever a mesma história sempre, com poucas variações (talves nos nomes das personagens), para fingir que somos grandes escritores. Poderíamos, nesse padrão de escrita de altíssima qualidade, fazer os novos episódios da novelinha das cinco da Plim Plim (ó, o meu futuro). É tudo igual mesmo, combina com nosso estilo.

Eu vou explicar a razão do nome ridículo, não se preocupe.

A seguiiiiirrr: Jequitibá? Limão? Abacaxi? Hã?

Ginger Rogers, 9:46 AM

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