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por Ginger Rogers** |
Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
LIVRO, O QUE É ISSO?
Uma boa maneira de não terminar de escrever um livro (por não ter absolutamente nada a dizer) é fazer o que um monte de gente já faz: não ler, nunca. Não ler jornal, bula de remédio, revista, nada que possa ter alguma letra do alfabeto juntinha de outra letra do alfabeto. Isso que você está fazendo agora é expressamente proibido para a arte de não ter assunto e deixar as coisas pela metade. Ler livro? Urf! Ja-mais! Isso aqui até que você pode ler, por que precisa aprender como nunca terminar de escrever as coisas. Não freqüentar bibliotecas, não comprar livros e nem ler absolutamente nada é a chave para não ter o que dizer.
Veja só: a qualidade da indução ao silêncio forçado não está reduzida ao grupo de pessoas de baixo poder aquisitivo, nem aos estudantes de escolas públicas. Os verdadeiros profissionais em não ter nada para dizer são os universitários. Estudantes de comunicação, direito, fisioterapia, etc, etc: ninguém escapa da febre de só ler o que os professores pedem e, mesmo assim, os pedacinhos de xerox.
Assim formamos uma juventude cheia de opinião, bem informada e batalhadora. Percebeu como eles brigam por tudo o que está errado no país? Nossa! É quase um novo 1968. Fica muito mais fácil de não terminar de escrever um livro se a gente não sabe escrever direito e não tem idéias suficientes! Eba! Eu não disse que não ter criatividade era todo um processo complicado? Viu?
DIÁLOGO ADOLESCENTE DE DUAS PESSOAS CHEIAS DE ASSUNTO, NO MSN:
Quase eu entrou no messenger
Bobo Boy entrou no messenger
Quase eu: Adoro Malhação!diz:
Oi!!
Bobo Boy diz:
Oi!!!
Quase eu: Adoro Malhação! diz:
Você viu? Fizeram um novo chiclete, agora deixa a língua azul e vermelha com bolinhas laranjas.
Bobo Boy diz:
Foi? Pô, vou comprar a dúzia. Vai pro cine hj? É quarta feira!
Quase Eu: Adoro Malhação! diz:
A galera está lá? Com qual roupa eles vão?
Bobo Boy diz:
A farda mesmo: boné pro lado, camisa preta de banda, all star e cinco pulseiras em cada braço.
Quase Eu: Adoro Malhação! diz:
É isso aí, o importante é ser você!
Bobo Boy diz:
Falou bonito. Eu também acho. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante.
Quase Eu: Adoro Malhação diz:
Pô, é isso aí, o importante é a originalidade. Posso usar cinco pulseiras, ao invés de 5?
Bobo Boy diz:
Não, é padrão.
Quase eu: Adoro Malhação! diz:
Tá. Pô, eu vou pintar meu cabelo hoje. Já comprei o crepom.
Bobo Boy diz:
Massa! Te vejo lá no shopping. Vou estar no Mc'Donalds, a gente se vê lá.
Quase Eu: Adoro Malhação! diz:
Oba, Bic Mac!
Bobo Boy não pode responder porque está offline.
Quase Eu: Adoro Malhação! não pode responder porque está offline.
Conversa mais legal que essa, só a do JN. Não ler é muito legal! É bom que a gente não pensa, logo não escreve. Pensou que eu iria falar "não pensa, logo, não existe", não é mesmo?
É, não existe também.
A SEGUIR: A estréia de OKA!- Porque o mundo dos quadrinhos não é só feito de gente malvada...
Ginger Rogers,
4:11 PM
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Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Literatura Clichê- A arte de escrever best sellers
É Claro que você pode optar pelos títulos mais legais- leia-se "legais" os que farão você terminar de escrever o livro em cinco segundos:
"COMO ESCREVER BEM";
"COMO FALAR CORRETAMENTE";
"MAIS DESINIBIDO EM CINCO SEGUNDOS";
"MAGRO EM CINCO SEGUNDOS";
"A ARTE DE TER ETIQUETA-EM CINCO SEGUNDOS";
"APRENDA QUE ESTAR NA MODA É VESTIR ROUPA CARA-EM CINCO SEGUNDOS";
"COMO ASSEMELHAR-SE AO PALITO DE DENTE- CINCO SEGUNDOS".
É claro também que, nesse caso, você pode ter a chance de estar escrevendo um livro igualzinho a outro já pronto, não sabe a moda que está vender livros de auto-desespero (ou auto-ajuda, como quiser). Pior é a outra moda que lançaram: os famosos escreverem biografias, livros meia boca, etc etc; alguns "half-famosos"(ou adeptos dos 50 milééééésimos de segundos de fama) acham que têm uma história de vida que vale a pena ser escrita e desembestam a falar de experiências com drogas, de casos com travestis (o polêmico vende, genteee) e de como batalharam para finalmente comprar sandálias Manollo.
Eu me chamo Aribela, meu nome artístico é Pink Genóvia. Consegui ficar famosa depois de mostrar minha bunda em um programa de auditório; lá também aprendi a soletrar meu nome. Eu pedi para a minha assessora de comunicação, formada em jornalismo pela Faculdade Põe a Mão no Bolso, Tira o Pé do Segundo Grau (FPMBTPSG) para escrever para mim, porque minha vocação mesmo é mostrar os peitos. No começo, eu até que era humilde, mas depois eu percebi como sou superior e hoje bato bastante nos meus subordinados. Depois de ficar viciada em cocaína, eu troquei o barato pelo ácido, que é mais legal. Posei nua umas cinco vezes, até quando já estava toda caída, mas eles levantaram tu-do com Photoshop. Agora eu posso dizer que encontrei Jesus e (óbvio) estou salva.Cara, eu e ele viramos s-u-p-e-r amigos, afinal, ele tinha que reconhecer que gente da elite é muito melhor.
Hoje posso dizer que larguei meus preconceitos. Parei de queimar índios aos 19 anos. Como pobre não é gente, continuo mandando matar. Eu sou uma pessoa simples, só uso Channel. sou muito caridosa. Doei as porcarias velhas daqui do meu loft aos favelados miseráveis que enchem meu saco.
Como ela é simples, né?
A Seguir: O último episódio de A ARTE DE NUNCA TERMINAR DE ESCREVER UM LIVRO- "Livro, o que é isso hein?"
PS: DEPOIS DO ÚLTIMO CAPÍTULO DA SÉRIE, ESTRÉIA: OKA!- Porque o mundo dos quadrinhos não é feito somente de MALVADOS!!!!
Ginger Rogers,
5:31 PM
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