**Template por Ginger Rogers**

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

DE COMO MÚSICAS TRISTES INSPIRAM ou SONETO DAS SEPARAÇÕES

Quando o namoro acaba, parece que a cidade é pequena demais, que as ruas não te sustentam, por sua carga de lembranças, por suas lágrimas, por sua tristeza. Quanto menor for o tempo depois do split, maior é a dor. No primeiro mês, os pesadelos são intermináveis, a choradeira por causa de músicas, dos lugares que frequentavam, por causa das fotos, dos amigos em comum, dos inúmeros detalhes que nos lembram nossa vida de "casados". Essa semana estive com três recém solteiros (um deles ainda muito apaixonado pela ex-namorada, namoro de quatro anos e noivado de um ano acabados) e de repente, relembrei o início do ano passado, quando EU estava passando por essa situação. É uma merda mesmo. Eu emagreci (opa, isso é legal), fiquei um trapo chorão e reclamão. Mas um ano depois, ó eu aqui (e meu cabelo tá muito melhor). Os recém solteiros fingem não sofrer com a separação- são homens, não podem chorar, se lamentar ou se entupir de chocolate- mas estão lá, conversando sobre suas dores disfarçadas da "alegria em estar solteiro".

As pessoas estão se separando mais e mais por esses dias. Amores que pareciam extremamente duradouros terminando repentinamente, casais devotadamente apaixonados, separados. Chega a ser assustador quando a gente se depara com a separação daquela duplinha que tinha trezentos anos de namoro (e ainda se olhavam como se fosse o primeiro mês)... parece que ninguém encontrará a tampinha da panela....E eu me finjo de despreocupada, desacreditada, mas o amor é uma pedrinha que grudou com chiclete Ploc no meu sapato, não descola, nunca. A propósito, alguém tem visto chiclete Ploc nessas docerias por aí?

Eu acredito na possibilidade de encontrar uma pessoa por quem a gente se apaixone e que seja recíproco. Que dure..dure...dure...e que envelheça junto com a gente, ria, chore, adoeça, melhore, tenha filhos, netos, bisnetos, tataranetos....simplesmente acredito. Queria ter dito isso aos recém-solteiros, mas acho que a gente só entende o poder de mudança que tem uma separação depois de um tempo. Eu precisei de uns sete meses para entender que aquele namoro não me fazia bem e que eu estava evoluindo muito mais agora. A tampa de sua panela não enferruja você, dá mais brilho.
Pois que o amor é uma coisinha assim inexplicável, imprevisível...mas essencial. Boa sorte aos atuais recém-solteiros. Dor de cotovelo, só o tempo cura.

PS: Quarta tem OKA!...aê!

Ginger Rogers, 12:42 PM

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Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

CHÃO CHÃO CHÃO

Esses dias andei pensando: todo mundo abomina tanto o pagode, é aquela coisa toda de repulsa às letras, ao estilo dos pagodeiros, ao cabelinho de luzes, às blusas estampadas (heroicamente)... aquela coisa de "axé é coisa do demônio!" "rock é para os antenados!" "rock é para os inteligentes alternativos!"...
Pois eu cheguei a uma conclusão ridícula, mas quase filosófica: se houvesse somente roqueiros no mundo, gente vestida de preto, gente com aquele tênis ridículo, o "Tudo Estrela", gente com camisa de banda, ouvindo Ramones/Rolling Stones/Franz Ferdinand (ou CPM22/Dead Fish/Detonautas), o que seria do mundo?
Um monte de gente disputando para ver quem sabe mais, quem tem mais cds ou quem pinta o olho com o lápis mais preto, isso que seria. Franz Ferdinand fala dos Strokes, um monte de metidinho indie fala das bandas alternativas quando alcançam a fama, é uma disputa de egos disfarçada de gosto musical. Assim seria o mundo. Não teria nem alternativas para ser alternativo (frase ótima..iihi).
O problema é que, gostando de coisas diferentes, as pessoas insistem em querer eliminar o gosto musical alheio. Ok, ok, as vezes enche o saco o "requebra mainha", mas eu, definitivamente, aprendi a respeitar. Porque se fosse só o rock e a música eletrônica, morreríamos enjoados e cheios de tédio...afinal...é massa assistir a galera requebrando, indo até o chão...no mínimo, num show de funk dá pra rir bastante.
O legal é se divertir com Pixies aceitando que tem gente ao lado que curte Psirico. Ter escolha é sempre bom. Especialmente se um dia você beber demais e quiser "quebrar até o chão"...você já fez isso, eu sei.
Viu como eu tô ficando compreensiva?

Obs:Tem texto meu no Caderno 10 essa semana! Compra o A Tarde desta terça e lê!!! Xiki!!!

Ginger Rogers, 10:39 AM

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