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Quarta-feira, Março 01, 2006
AS MARAVILHAS DA MUVUCA CARNAVALESCA OU ATÉ QUE O EXCESSO DE SOL NOS SEPARE
Jantou mais cedo aquela noite. Calçou tênis confortáveis, vestiu uma blusa rosa com estampas divertidas e um short jeans.
Comeu bem, sim. Precisava estar pronta para o excesso de pulos, gritos e para a agonia que estava por vir. Música alta, muvuca, calor e noite sem dormir. Esperava sim uma diversão na madrugada da terça de carnaval, esperava muita gente gritando, muita bagunça, até alguns beijos rápidos e desnecessários. Mas não esperava por essa....dançava impacientemente quando ele apareceu em sua frente. Olhava insistentemente para os passos suados dela, sorria, para chamar sua atenção; ela olhava para o chão.
De repente, ela olha para cima. Os olhares se cruzam. Ela deixa escapar um sorriso. Ele se aproxima. Ela suaviza os passos coreografados com os amigos, tenta fazê-los mais sensuais. Ele se aproxima a ponto de sentir a respiração dela. Passam um tempo se ollhando, parece que nem mesmo ouvem a música que os cantores de axé berram de cima do trio.
Se beijam.
O calor aumenta. Ela nem percebe mais os empurrões da muvuca desgovernada, ele com os olhos fechados, segurando a cintura dela. Pararam de dançar, o silêncio desértico toma conta do ambiente, mesmo com o bloco que passa, mesmo com o povão dançante. Ela sentiu os calafrios daquele beijo que parece durar para sempre, do futuro namoro chegando, de uma história interessante..de..de....ele interrompe o beijo e pergunta o nome dela. Começam a conversar; ela responde as indagações, animada, ele parece interessado mesmo. Beijam-se mais uma vez..e outra...e outra...
O bloco volta a andar, o povão começa a seguir o trio. Ela estava deslumbrada, o calor insuportável, a muvuca apertando, apertando, apertando. Ele olha profundamente para ela....vira-se.
Vai procurar a próxima dançarina ululante.
Ela para e retoma a consciência. Ia acreditar pra quê mesmo? E o papinho padronizado, deveria ter desconfiado. Não acreditaria mais na merda dos calafrios. Vira para trás...A maré da muvuca trouxe o admirador de dançarinas saltitantes novamente.
Ele achou que tinha perdido a garota no calor da muvuca, arrependeu-se de deixá-la sozinha. Voltou para continuar de onde havia parado. Ela riu-se, algumas vezes o acaso nos surpreende.
Seguiram os dois pela pipoca carnavalesca. Sem poste, vendedor de picolé ou muquirana que os separe.
PS:Ficção, gente, ficção...
Ginger Rogers,
10:24 PM