**Template por Ginger Rogers**

Sábado, Março 04, 2006

O DIA EM QUE A PACIÊNCIA ACABOU

É como eu me sinto: um pedaço no meio de um turbilhão de coisas, elas não acontecem, elas são vomitadas na minha roupa predileta. O cisco que deveria ter sido tirado do meu olho a dias permanece incomodando e irritando a íris, ela não para de lacrimejar. Levantei do sonho hoje e parece que entendi minha sina: estar ao lado das pessoas enquanto elas estão ao lado de outras pessoas. Estava sufocada quando acordei, enxerguei coisas demais em pouco tempo. O cretino que criou o ditado que diz que "aquilo que tiver de dar errado irá dar errado" esqueceu de avisar que há vezes em que algumas coisas dão errado para algumas pessoas, enquanto outras se dão bem por tempo indeterminado. Alguns nascem com a bunda virada para a lua, outros com o ímã puxando o ânus para o canto da parede.
Quanto maior for o número de possibilidades que abrirem os braços, maiores serão os artifícios para que as possibilidades sejam amputadas, bem rápido. É sem nexo, é chato e é verdade: quanto mais você se importa, mais você percebe que não deveria se importar. E tudo parece um grande círculo vicioso, porque o grau de importância que você atribui às pessoas não diminui porque você percebe que é uma merda se importar com as coisas todas, que é uma merda querer mudar as coisas. Mas é um vício, como o café: te deixa com insônia, mal humorada, mas você não consegue viver sem.
Queria eu escolher por que caminhos minha cabeça vai. Ela é independente, expande sua maneira de pensar sem me pedir permissão. E me surpreende, me assusta, me faz cair de vez em quando. Ela já dói sem que eu mesma saiba porque; talvez seja o excesso de pensamentos, pré-ocupações e decepções.
Talvez seja de tanto amar tanta coisa.
Porque o coração só faz pulsar, rápida ou lentamente. Quem ama é a mente.
Por isso que penso demais. Ou não.

Ginger Rogers, 10:13 PM

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Quarta-feira, Março 01, 2006

AS MARAVILHAS DA MUVUCA CARNAVALESCA OU ATÉ QUE O EXCESSO DE SOL NOS SEPARE

Jantou mais cedo aquela noite. Calçou tênis confortáveis, vestiu uma blusa rosa com estampas divertidas e um short jeans.
Comeu bem, sim. Precisava estar pronta para o excesso de pulos, gritos e para a agonia que estava por vir. Música alta, muvuca, calor e noite sem dormir. Esperava sim uma diversão na madrugada da terça de carnaval, esperava muita gente gritando, muita bagunça, até alguns beijos rápidos e desnecessários. Mas não esperava por essa....dançava impacientemente quando ele apareceu em sua frente. Olhava insistentemente para os passos suados dela, sorria, para chamar sua atenção; ela olhava para o chão.
De repente, ela olha para cima. Os olhares se cruzam. Ela deixa escapar um sorriso. Ele se aproxima. Ela suaviza os passos coreografados com os amigos, tenta fazê-los mais sensuais. Ele se aproxima a ponto de sentir a respiração dela. Passam um tempo se ollhando, parece que nem mesmo ouvem a música que os cantores de axé berram de cima do trio.
Se beijam.
O calor aumenta. Ela nem percebe mais os empurrões da muvuca desgovernada, ele com os olhos fechados, segurando a cintura dela. Pararam de dançar, o silêncio desértico toma conta do ambiente, mesmo com o bloco que passa, mesmo com o povão dançante. Ela sentiu os calafrios daquele beijo que parece durar para sempre, do futuro namoro chegando, de uma história interessante..de..de....ele interrompe o beijo e pergunta o nome dela. Começam a conversar; ela responde as indagações, animada, ele parece interessado mesmo. Beijam-se mais uma vez..e outra...e outra...
O bloco volta a andar, o povão começa a seguir o trio. Ela estava deslumbrada, o calor insuportável, a muvuca apertando, apertando, apertando. Ele olha profundamente para ela....vira-se.
Vai procurar a próxima dançarina ululante.
Ela para e retoma a consciência. Ia acreditar pra quê mesmo? E o papinho padronizado, deveria ter desconfiado. Não acreditaria mais na merda dos calafrios. Vira para trás...A maré da muvuca trouxe o admirador de dançarinas saltitantes novamente.
Ele achou que tinha perdido a garota no calor da muvuca, arrependeu-se de deixá-la sozinha. Voltou para continuar de onde havia parado. Ela riu-se, algumas vezes o acaso nos surpreende.
Seguiram os dois pela pipoca carnavalesca. Sem poste, vendedor de picolé ou muquirana que os separe.


PS:Ficção, gente, ficção...

Ginger Rogers, 10:24 PM

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