**Template por Ginger Rogers**

Quarta-feira, Março 15, 2006

ENCONTRANDO O HOMEM PERFEITO, ATO 1

Vamos pensar romanticamente. Um homem que seja interessante tem que ter, pelo menos, inteligência. Ao menos uma conversa tem que sair de modo espontâneo, intrigante e divertido (algumas vezes o papo é sério, mas só de o cara ter fundamentação para seus argumentos já deixa a coisa mais divertida e excitante); até falar merda é mais legal com quem sabe falar merda.
Certa feita (chiquérrima essa expressão), deparei-me com uma figura: fui perguntar as horas e ele pediu meu telefone. Achei, inicialmente, a atitude precipitada, mas como não sei mentir para ninguém (e quando minto, faço cara de paisagem, dá logo para perceber), acabei dando o número do celular. Depois de anotar o número, ele começou a puxar papo; eu estava sem muita paciência (sabe como é, saindo da faculdade depois de um dia inteiro na rua; trabalho-faculdade-ônibus lotado-casa-fichamentos de livros-resumos-cama) e por isso respondia monossilabicamente. As velhas frases-prontas começaram a surgir da boca dele:
- Você tem uns olhos lindos, sabia?
- Ah.
- O que é que você acha que a gente pode fazer junto?
- Chute aí.
(...)
Depois de um tempo conversando com ele (=ele falando, eu respondendo) , comecei a me divertir com a maneira como eu estava levando o papo. Todas as sacadas espetaculares de ironia realmente me fizeram demorar mais conversando.
- Você gostou de mim, eu sei.
- Ah foi, foi?
- Você é toda irônica não é?
- Sou.
- Do que você tem medo?
- Medo? Eu? Ah, de barata, tenho pavor de barata.
- Engraçadinha.
- É?
(...)
Eu sei, eu estava irritante. Quer dizer, irritante para ele, porque eu estava dando muitas risadas comigo mesma. Depois, ele mesmo foi dizendo que tocava numa banda, era baterista e tinha passado a vocal. O detalhe: de uma banda de pagode. Só podia ser comigo isso. O mais legal é que ele demorava milênios para sacar as minhas frases, anos e anos para entender o que eu estava falando ( e olha que foi um dos dias em que eu estava falando ligeiramente devagar).

Então, tá. O meu par ideal precisa falar merda bem, pelo menos. Tenho que admitir: ele não fazia nem isso direito, queria mostrar que era bonitão, garanhão conquistador. E no final das contas, me mostrando umas fotos dele (!!!) no celular, deixou aparecer, acidentalmente a foto de uma mulher...
- Sua mãe? (falei isso de sacanagem)
- Não...minha "quase" namorada.
- Ah, ela deve confiar muito em você, eu presumo. Você é um cara extremamente confiável.
- Olhe só..não vá me jogar para ela e se arrepender depois.
- Claro, claro.
- Isso é ironia?
- Irônica, eu?
(...)
O homem perfeito deve ser gay, não é possível. Perfeito, que eu digo, que tenha pelo menos vergonha na cara, inteligência, que fale merda competentemente...
...e que não toque em banda de pagode.

Ginger Rogers, 8:36 AM

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