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por Ginger Rogers** |
Quinta-feira, Março 23, 2006
SOBRE UTOPIAS E SONHOS ou A SÍNDROME DO ESPERANÇOSO MALUCO
Acredite em mim, pô. Eu acredito em você, neles dois ali, nela também. Acredito que você vai dizer um dia desses "é, eu achava que não iria acontecer, mas aí ó, aconteceu e eu nem vi". Acredito que as discussões políticas sirvam para alguma coisa, acredito que podemos resolver as coisas conversando, acredito no perdão, na capacidade de assumir os próprios erros, na capacidade de se renovar. Acredito na capacidade de acreditar, que surge de alguma coisa grande ou de um vendedor de pipoca sentado no banco da frente do ônibus, que resolveu dar o lugar à velhinha que estava em pé, se "sacudindo" toda. Acredito que algum dia haverá saldão nas minhas lojas prediletas, que os livros vão ficar mais baratos. Acredito que haverá bandas que façam sons diferentes dos que vemos agora, que haverá jornalistas que não se achem os donos da verdade, acredito que haverá estudantes de jornalismo que gostem de ler. Acredito numa universidade pública com uma biblioteca gigantesca, alunos preocupados não com o próprio ego, mas com a melhoria da comunidade em que vivem. Acredito numa faculdade particular que não trate seus alunos como mercadoria, acredito em alunos de faculdades particulares que não tratem suas faculdades como empresa.
Acredito em um movimento estudantil sem a supremacia dos egos dos estudantes (e da maconha), acredito na capacidade de decisão do povo. Acredito em antropólogos e sociólogos que estudem o homem e a sociedade com o intuito de buscar soluções para seus problemas, não com a pretensão de superioridade e de provocar a desilusão nas pessoas para quem palestram, discursam. Acredito em projetos arquitetônicos que realmente melhorem a cidade, acredito em engenheiros preocupados com o meio ambiente, acredito em mães que ensinem seus filhos a não jogar lixo no chão.
Acredito em políticos que estejam preocupados com as pessoas que os elegeram e não com o salário exorbitante.
Acredito em profissionais que cursem a universidade e se formem e façam concurso para o serviço público não somente pela estabilidade, mas pela modificação de alguma coisa.
Acredito nos seres humanos e na capacidade de percepção dos mesmos. Acredito nos olhos dos seres humanos, acredito que logo enxergarão possibilidades, saídas, soluções sustentáveis e uma maneira de reconstrução do que já foi destruído.
Acredito. E o que seria de mim sem acreditar em um bilhão de coisas...seria mais um monte de cabelos, dedos, órgãos sem utilidade nenhuma.
Acredite, pô.
PS: Bom final de semana povo, até segunda!!
Ginger Rogers,
10:04 PM
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Segunda-feira, Março 20, 2006
ENCONTRANDO O HOMEM PERFEITO, ATO 2
"- Oi, sou eu.
- Eu quem?
- Não lembra de mim não? É *** (substitua as estrelinhas por um nome que você achar bonitinho)
- Ah.
- Sentiu saudade?
- Hein?
- Sentiu saudade?Tá aonde?
- Numa festa de formatura.
- Depois eu te ligo, então.
- Hum."
É, acho que ele não entendeu quando eu respondi monossilabicamente as perguntas dele, ou quando fazia piadinha sobre as cantadas mal-feitas dele. Interessante como quando você não quer nada com um cara, ele não para de ligar pra você. Outro dia estávamos eu e meu amigo numa sorveteria, quando passou um dos meus pretês favoritos (um dos..essa foi boa); me olhou com cara de "é assim, não é, você estava me usando!" e eu, sem entender nada, olhei para ele..depois percebi que a razão da revolta é que eu estava com um homem do lado. Pronto. Quando você encontra um pretê interessante, sempre há um acontecimento inconveniente que derruba tudo.
Assim é a Lei de Murphy: desastrosa nos relacionamentos. O que tiver de dar errado, dá errado e pronto. A gente se apaixona por quem não está apaixonado por nós e, se houver alguém apaixonado por nós, é aquela figura pra quem a gente nem dá bola. A gente conhece o cara perfeito e depois descobre que ele tem a namorada perfeita (aquela mulher magééérrima, de rosto-bundinha-de-bebê). Ou, quem sabe, ele goste, literalmente, da mesma coisa da qual gostamos.
E o pagodeiro do ponto de ônibus continua ligando; parece que esqueceu que tem namorada, que tocou numa banda de pagode e que usa regata das festas de pagode que frequenta, numa combinação exemplar com um short floral. Não dá, eu até entendo que pode parecer exigência em excesso, mas não dá. Encontrar o cara ideal (leia-se que tenha, no mínimo, bom senso e bom humor..ah, e que entenda minhas piadas) não é uma questão de sair com uma placa pendurada no pescoço, gritando "procura-se um homem interessante desesperadamente", nem se oferecer para o primeiro insano que aparecer oferecendo pipoca doce. É uma questão de acaso, quando Murphy está distraído ou dormindo com a TV ligada e que as coisas começam a dar certo.
É uma questão de andar por aí e, de repente, começar a conversar com alguém que, à primeira vista, é interessante. Não precisa ser a nossa versão com um pênis; basta não começar dizendo "Seu olho é lente?" ou "Como é que a gente pode se conhecer melhor?"
Ou "Eu toco em uma banda de pagode"...
PS: Até quinta, meu povo!
Ginger Rogers,
10:02 AM
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