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Quinta-feira, Novembro 16, 2006
eu não quero ter que me acostumar
acordar com o sol, sem ele me alcançar
e ver esse céu, azul, ver o mar
passando do ônibus indo trabalhar
sair do trabalho sabendo, amanhã
outro dia, outra luta sem tempo, sem ar
eu não quero ter que acreditar
que vou estar, para sempre, no mesmo lugar
que farei, para sempre, as mesmas coisas
que verei, das janelas, p'ra sempre, o mar
eu não quero ter que me consertar
e envelhecer e transbordar
sem me conhecer
e sair e não ter tempo
de aproveitar
eu não quero me lembrar de que não vivi
eu não quero ter que me imaginar
falando dos outros
por não ter o que contar
vivendo outras vidas
por não ter em quê me inspirar
porque não tenho tempo
só p'ra dormir, só p'ra acordar
levanto, bem cedo
e acordo de mim
não tenho mais tempo para escrever
minha consciência não vai mais parar
de contar o tempo, de me eliminar
converso, em cabeça
por olhos, por gestos
e penso, atravesso com idéias o mar
um dia, de perto farei coisas belas
faremos, nós todos
quando tempo tivermos
não quero mais ter que me justificar
quero tirar férias do mundo
quero me permitir
quero abrir meus olhos até doer
quero mandar a palavra p'ra merda, pastar
quero ficar em silêncio, me ouvir
(se tiver tempo)
até ouvir minha consciência, enfim, se calar.
Ginger Rogers,
12:11 AM
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