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"CAUSOS" de uma infância infame- Parte 1
Eu tinha muitos vestidos. Quando tinha dez anos, não gostava, não tinha peito, descia sem camisa mesmo, com as bituquinhas de fora, enquanto todas as meninas usavam sutiã. Era apaixonada por um menino, o Rafael. Fazia balé, toda secóidezinha...estava indo para minha aula de balé, quando encontrei a manda chuva da rua, Alana. Considerava a Alana minha melhor amiga, mas na verdade me cagava de medo dela, porque ela controlava a cabeça de todas as meninas da rua e fazia sempre o "castigo do silêncio" (aqueeeeeeeele de carroussel, que todo mundo não falava com a menina) em quem se "comportasse mal". Contei para ela da paixonite aguda e ela sorriu, com aquela cara inocente de criança de dez anos. Inocente..hum. Lá venho eu do balé, sobe Rafael. Na época ele era a nata do bairro, todas as meninas eram "completamente afins" dele. Sobe, sem camisa, a ladeira, e chega sorrindo, eu morrendo de medo. - Ginger, eu quero falar com você. - Hein? - Alana me contou. - O quê?? É mentira! É mentira dela! - Vem cá, deixa eu falar com você! - Nãããããão!!!!!!!! Ele segurou meu braço e eu saí correndo, destrambelhada, ladeira abaixo. Parei de frequentar o balé, besta traumatizada, e me prometi, de modo bem novela mexicana: "Eu não vou ser mais feita de besta!" Fiz onze anos! Minha amiga mais nova, Thiara, fez aniversário. Estava comemorando oito anos, toda a galera lá, eu me atrasei, nem lembro se foi de propósito. Tinha ganhado um sinal novo na cara, perto da boca, beeeeem Marilyn Monroe. Cheguei na festa e, muito chiquemente, todo mundo me olhou. Rafael olhou fixamente: - Lindo seu sinal novo hein?? Eu sorri. Estava na época de Maria do Bairro, aqueeeeeela novela do SBT, e eu estava me sentindo A PRÓPRIA Thalia. Todo mundo começou a falar comigo e de secóide girafa insignificante, de repente, não mais que de repente, tinha virado A estrela. Nem a Tica fez tanto sucesso no aniversário. Todo mundo queria dançar comigo, eu fui pra casa toda me sentindo. Pronto, passei a usar vestidos, porque estava me sentindo muito chique. Começaram a nascer peitinhos, eu estava me sentindo lindérrima. Tinha um vestido florido branco ultra lindo e praticamente só usava ele. Quase Heloísa Helena e seu conjuntinho blusa-branca-e-jeans. Pedi para minha mãe para descer, naquele dia, com meu vestido branco e meus cabelitos cacheadérrimos. Queria brincar de esconde-esconde. Lá estava Rafael, lindo. Momys hesitou num primeiro momento, mas depois deixou eu e meu irmão descermos, a rua era muito mais tranquila naquele tempo. A gente se escondia em qualquer lugar e nada de ladrão. Todo mundo sentado no banco que era Ô point, na frente do prédio de Rafael, eu cheguei e fomos brincar. Coisa estranha: todos os meninos disputavam espaço para se esconder comigo! OOOlha! Mas eu só queria me esconder com Rafael. Estavamos lá, esperando nãoseiquem contar e, debaixo de uma arvorezinha, ele pegou em minha mão. Morri de vergonha, ninguém tinha se atrevido antes! Que menino ousado! Saí correndo, pronto, acabou a brincadeira. Subi umas onze horas, eu e meus devaneios sobre meu casamento com Rafael, nossos filhos, netos e tataranetos. As meninas começaram a se revoltar. Descobri, meio que por acaso, que a Thiara tinha uma espécie de paixão das brabas por Rafael. (continua) Ginger Rogers,
2:03 PM
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