Domingo, Março 04, 2007

DIA NO SHOPPING OU O RETORNO DOS SMURFS

Ah, um domingo....nada para fazer, Fausto Silva tentando dominar mentes com seu ¿ô lôco meu¿ e chuva. Poucas opções, já que as nuvens brancas não permitem (a não ser para surfistas doidos) o ¿desfrutar das praias¿. Resta uma tensa opção: o shopping. PEOR: o shopping, num fim de semana, num dia de chuva, num final de mês. O que alguém pode fazer num shopping no final do mês? Você pode até ter uns trocados, mas complica, vamos combinar. Ginger, em sua astuta mania experimentalista, resolve ir ao cinema. Sozinha. Põe um vestidinho comum, arruma os cabelos e vai. Depois de passar um bom tempo na dualidade esperar ônibus-passar milênios dentro do ônibus, ela alcança os portões do desespero.

Ao chegar, o impacto número um: mulheres, muitas mulheres, com uma tal florzinha na cabeça. A maldita florzinha da moda, a florzinha da Íris, do Big Brother Brasil. Algumas nem tinham cabelo suficiente para amparar a tal flor, mas a flor estava lá, firme, forte e de tricô. Ginger, sente um frio na espinha e prossegue. O que fará, sem dinheiro, esperando pela sessão das oito, quando ainda são cinco da tarde?

Para todas as pessoas que encontram-se nessa situação, eis alternativas de diversão sem bufunfa dentro da gaiola das loucas:

 Livraria. A livraria é um local sensacional para não gastar dinheiro e gastar tempo. Lá o cafezinho é barato, o pão de queijo também é barato, você não vai gastar dinheiro e tem uma biblioteca gratuita a sua disposição. Só não vá se empolgar e sair de lá sem pagar, maluca. Ta pensando que é a casa da mãe Joana?
 Lojas de departamento. Local excelente para garotas que querem mudar o estilo: podemos experimentar absolutamente tudo sem tem um vendedor insuportável perguntando se isso ou aquilo ficou bom. E se você estiver sozinha, vá à forra. Experimente aquilo que você sabe que nunca vai usar, ou que nunca em sua vida toda vai ter dinheiro para comprar. Vestidos horrorosos, glamourosos, calças, sapatos...ahhhh...muuuitos sapatos, de todos os tipos. O melhor é que você vai poder sair de lá sem nadica e ninguém vai olhar pra sua cara como se você fosse uma sacana que só toma tempo dos vendedores com a história de ¿só estou olhando¿. Pelo menos agora essa verdade pode ser abafada.
 Praças de alimentação. Se você for inteligente e esperta vai levar um livro na bolsa, óbvio. O livro na bolsa é um truque sensacional para quando a companhia for chata, para quando você estiver com um casal de namorados (ler enquanto eles se beijam funciona!) e sensacional para esperar enquanto a bosta da sessão não começa.

Sim...óbvio que Ginger passou horas na livraria, saiu sem absolutamente nenhum livro e foi para uma loja de departamento pseudo chique (que na Argentina é igual a qualquer cocô mas vem pro Brasil tirar onda). Olhou os vestidos glamour, pegou um estilo Audrey Hepburn e vestiu. Na primeira rodada, ficou entalada no vestido, mas depois de pegar um L (large...que vergonhaa..) experimentou o sabor de ser diva. E achou sapatos quarenta! Logo, só faltava a cigarrilha para ser Catherine Zeta Jones ou Julia Roberts em ¿Uma Linda Mulher¿. Depois de novamente ficar entalada no vestido (não havia ninguém para puxar o zíper), sai da loja deprimida (ah, essa gordura). E vai comprar o ingresso.

Lá, o impacto número dois: mulheres, muitas mulheres, de vestido, franja e salto. Mas não é qualquer franja, é aquela maldita franjinha pro lado. Outras trocentas com a porra da flor no cabelo. Enquanto toma um capuccino no calor da fila do ingresso, Ginger passa a contar quantas mulheres estão vestidas EXATAMENTE do mesmo modo. Perdeu a conta quando passou da vigésima smurfete...
Na hora da sessão, impacto número três. Depois do choque de ver tantas pessoas vestidas igualzinho, chega até a fila da sala do cinema...havia dois casais na frente de Ginger, um do lado, um atrás. Olhar pra onde, peloamordedeus? Pessoas DE FRANJA se beijando por toda parte, homens com as bermudas florais beijando mulheres de franja de ladinho. Quilos de blush entrando pela porta da sala do cinema, de mãos dadas com uns músculos e bermudas florais. Ginger pensou...SÃO OS SMURFS, Ó NÃO!
E sentiu, enfim, saudade das Salas de Arte, com seus casais de velhinhos e cheiro de poeira.
Pelo menos nas Salas de Arte não se sente burlando as leis da natureza...




Ginger Rogers, 1:09 PM

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